Protecção solar – radiações e SPF

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Está a chegar o verão e esta é uma óptima altura para fazer aqui uma semana especial sobre protecção solar (na verdade se tudo correr bem serão 15 dias, vamos ver como corre). A ideia aqui é responder às dúvidas mais comuns em relação à protecção solar, como qual o melhor tipo de protector, que protector escolher, como funciona a protecção solar, quando reaplicar e muito mais. Fiquem atentos aos posts desta semana, pois irei responder a todas elas.

 

As várias radiações

A primeira coisa a considerar quando se fala de protecção solar é na radiação. Isto porque apesar de nos anos 90 toda a gente só querer saber da radiação UV, nos últimos anos tornou-se evidente o papel das restantes radiações na pele. Portanto vamos vê-las uma a uma.

 

penetração radiação solar.PNG

 

Radiação UVB (ultravioleta-B): a radiação UVB é a principal responsável pelas queimaduras solares, sendo a radiação à qual diz respeito a classificação SPF (SPF15 protege de 93.3% de radiação UVB, SPF30 protege de 96.7% de radiação UVB e SPF50 protege de 98.3% de radiação UVB). É também responsável pelo efeito bronzeado, mas também pela carcinogénese, embora em muito menor proporção do que o UVA. Esta radiação é a principal responsável pela conversão de pró-vitamina D em Vitamina D activa.

Como proteger: filtros orgânicos como triazinas e triazonas, filtros minerais (micronizados ou não)

 

Radiação UVA (ultravioleta-A): a radiação UVA é a principal responsável pela carcinogénese, pigmentação e pelo fotoenvelhecimento. Apesar de existirem alguns sistemas de classificação de UVA em protecção solar (como o caso do PA+, PA++, PA+++ ou fazerem uma equivalência ao UVB), estas classificações não estão legisladas. Contudo, a lei Europeia prevê uma condição no que diz respeito ao rácio UVB/UVA – a protecção UVA tem de ser pelo menos um terço da protecção UVB (isto não acontece nos EUA e a grande maioria dos protectores solares americanos falham no cumprimento desta regra europeia, elevando o SPF mas não acompanhando proporcionalmente no UVA).

Como proteger: filtros orgânicos como triazinas e triazonas, filtros minerais (micronizados ou não)

 

Radiação IV (infravermelha): nos últimos 10 anos a radiação IV tem sido alvo de investigação intensa pelo facto de se ter descoberto que, tal como a radiação UV, a IV também provoca danos na pele. Explicando de forma simples, existem uma série de genes que respondem a estimulação por radiação IV, sendo que os mais releventes são os que dão origem à matriz metaloproteinase-1 que degrada as fibras de colagénio e elastina, levando à formação de rugas profundas e rídulas. Além desta degradação, descobriu-se também que a radiação IV inibe a síntese de colagénio. Já o papel da radiação IV na génese do cancro tem sido menos estudado, mas parece estar associada a formas malignas mais agressivas de cancro.

Como proteger: pigmentos inorgânicos (que têm cor, conferindo tonalidade ao produto que pode torná-los de difícil utilização), filtros minerais não micronizados (mas deixam aspecto esbranquiçado, acinzentado na pele) e/ou uma combinação de antioxidantes potentes (principalmente beta-caroteno tópico, ácido ferúlico ou extracto de grainha de uva).

 

Radiação HEV (visível de alta energia): as últimas inovações no que diz respeito à protecção solar estão a acontecer a nível da radiação visível, principalmente no que diz respeito à luz azul devido à sua capacidade de penetração na pele. A principal problemática relacionada com este tipo de radiação é a pigmentação da pele principalmente em fotótipos altos (pele mais escura), levando a situações de melasma. Além disto, foi também descoberto que a luz azul também aumenta a expressão de matriz metaloproteinase-1 e ao aumento muito significativo de espécies reactivas de oxigénio, conduzindo ao fotoenvelhecimento. Ainda não existem estudos (pelo menos do meu conhecimento) quanto à influência da HEV na génese do cancro.

Como proteger: combinação de antioxidantes potentes (por exemplo um sérum antioxidante), filtros minerais não micronizados (conferem um aspecto esbranquiçado/acinzentado à pele) e/ou óxido de ferro (tem uma cor avermelhada e confere coloração intensa aos protectores). O desenvolvimento de protecção contra este tipo de radiação ainda está muito no início, mas já começam a surgir no mercado patentes neste sentido, como o Liposhield® HEV Melanin que foi especificamente desenhado para combater a radiação HEV e é um composto de melanina fraccionada. Este ano surgiram também o Parsol® Max II e o Soliberine® que prometem oferecer protecção contra todo o espectro, incluindo IV e luz azul.

 

Como fazer a melhor protecção possível dentro desta informação? O meu conselho seria fazer uma boa protecção com SPF 30 e que tenha um bom rácio UVB/UVA (muitas marcas divulgam abertamente estes índices) e utilizar um bom sérum antioxidante antes do protector solar. Não se preocupem, haverá um post com sugestões de protecção solar para diversas situações em breve.

Comments

4 responses to “Protecção solar – radiações e SPF”

  1. Liliana Avatar
    Liliana

    Boa tarde, poderia indicar exemplos de seruns antioxidantes? Obrigada

  2. CC Avatar

    Olá Ana, eu sempre utilizei protectores solares SPF50. Uma vez, numa farmácia, disseram-me que não existiam protectores com um SPF acima de 50, ou melhor, reforçaram a ideia que tudo o que existia acima de 50 era ineficaz porque o range de protecção até onde podiam ir era apenas 50. Fiquei na dúvida, até hoje, se isso teria sido um argumento de venda ou uma informação válida. És capaz de me ajudar a esclarecer esta dúvida? Beijinhos

  3. Ana Alexandre Oliveira Avatar

    C-Vit da Sesderma, C E Ferulic da SkinCeuticals, Caudalie Vinactiv, Lierac Mesolift, Vit E da TBS

  4. Ana Alexandre Oliveira Avatar

    Eles tinham razão, dá uma olhadela a este post que tem um gráfico que explica isso muito bem: http://theskingame.blogs.sapo.pt/protector-solar-faq-55763

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