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  • Ingredientes cosméticos que não devem ser combinados e mitos

    Estamos numa fase em que toda a dermocosmética envolve nomes de ingredientes e requer um conhecimento quase científico devido ao número de ingredientes de que se fala. Um outro problema é que subitamente toda a gente achou que agora é cientista e percebe imenso de químjica e começaram a multiplicar-se desinformações pela internet fora. Uma questão que surge frequentemente é “quais os ingredientes que não devem ser misturados?” e hoje vamos ver alguns mitos e alguns ingredientes que realmente não se dão bem juntos. Se precisarem de alguma ajuda com os ingredientes, por favor dêem uma espreitadela ao glossário de ingredientes do blogue.

     

    Niacinamida e Vitamina C

    Existem dois problemas teóricos com esta combinação: o primeiro é que eles podem formar um complexo e anular-se mutuamente, o segundo é que podem causar flushing (vermelhidão temporária). Quanto ao complexo formado entre as duas moléculas, este pode ocorrer, mas é facilmente reversível, não sendo portanto um problema (as duas moléculas juntam-se e separam-se sem ficar ligadas para sempre, especialmente nas camadas mais profundas que é onde interessa que exista acção de ambas as moléculas) e nunca acontecerá que todas as moléculas formem complexos ao mesmo tempo. Quanto ao flushing, este é causado por niacina, uma molécula que surge da conversão da niacinamida em meio ácido. Contudo, esta reacção de conversão demora tempo, o que significa que não deverá ser significativa quando se usam as duas moléculas ao mesmo tempo – poderá apenas ser agravado se a pele for logo exposta a radiação UV.

     

    AHA, Vitamina C e Retinol

    Estes três ingredientes/grupos de ingredientes são provavelmente dos mais famosos (nos AHA em particular o ácido glicólico). A utilização de combinações simultâneas destes três pode resultar em hiperreactividade da pele, sobre-exfoliação e aumento dapropensão a manchas (especialmente se não for usado um bom protector solar quando se fazem tratamentos com retinol ou AHA). Contudo, esta questão não significa que os três não possam fazer parte de uma mesma rotina, apenas têm de ser utilizados em momentos diferentes. O meu conselho é que se utilize sempre a Vitamina C de manhã – sendo que não é aconselhável que nenhum dos outros seja. Quanto à rotina da noite, aconselho a que se alternem os AHA com o retinol (usar retinol num dia e AHA no outro). Atenção que se nunca usarem nenhum destes dois ingredientes, convém fazer uma introdução gradual de cada um deles, começando por utilizar de forma muito espaçada.

     

    Ácido salicílico e AHA

    Esta combinação apenas requer algum cuidado por forma a que não se exagere na utilização de ácidos. Tal como no caso do retinol com AHA, a ideia aqui é não agredir demasiado a pele. O ideal é, mais uma vez, usar à noite e alterná-los. Contudo, se utilizam produtos que contêm ambos, não se preocupem – eles estão formulados para resultar em conjunto e as concentrações estão ajustadas de forma a que não causem problemas. O que não convém é fazer misturas de produtos com estes ácidos que não tenham sido formulados para funcionar em conjunto. 

     

    Vitamina C e Péptidos com Cobre

    Esta questão surgiu por parte de um responsável de uma marca de dermocosmética que notou que juntando péptidos com cobre a Vitamina C, a Vitamina C tornava-se inactiva. Contudo, isto é informação obtida in vitro, o que significa que não foi testada na pele (ou in vivo) e não recria necessariamente aquilo que acontece na pele. Até hoje não há qualquer estudo que consiga encontrar que prove que realmente há uma inactivação da Vitamina C pelos péptidos com cobre. No caso de ainda assim terem medo de combinar ambos, usem os péptidos de cobre à noite e a Vitamina C de manhã.

  • O que pagamos num cosmético

    Ando há algum tempo para escrever este post porque muitas vezes deparo-me com questões como “se é caro é porque é bom” ou “se é barato é porque não presta” ou “é tão caro, conheço um do LIDL que faz o mesmo e custa 2€” e outros semelhantes. E a realidade é que nada disto é necessariamente verdade.

     

    O que influencia o preço dos cosméticos

     

    Ingredientes – embora esta seja uma fatia normalmente pequena, o custo dos ingredientes influencia grandemente o preço final. Não só o ingrediente em si como as patentes, o processo pelo qual são obtidos ou se estão sujeitos a algum tipo de certificação.

    Características organolépticas (textura, cor, cheiro) – uma vez li uma entrevista onde alguém dizia que cerca de 80% do desenvolvimento de fórmulas de marcas de luxo era passado na textura do produto. Considerando que muita gente compra os produtos porque gostam da sensação de aplicação na pele e é uma das partes mais complicadas da formulação, é um peso muito significativo de uma grande parte dos produtos disponíveis

    Marca – há marcas pelas quais se paga pelo privilégio de as poder comprar, principalmente a nível de cosmética elevada e marcas associadas a grandes designers

    Embalagem – o facto de se ter uma embalagem genérica ou ter uma embalagem mais premium influencia, não só a nível do material usado mas também do próprio design de embalagem. Embalagens mais bonitas são geralmente bem mais caras

    Investigação/formulação – a formulação do produto também se paga e há uma grande diferença entre fazer uma cópia de um outro produto ou inovar realmente na fórmula.

    Marketing e design –  o design dos produto e todas as campanhas: publicidade, descontos, embaixadores, patrocínios, ofertas de brindes e produtos.

    Salários dos funcionários – pela mesma razão que mandar vir coisas da China é muito barato, comprar produtos em empresas que pagam mal aos funcionários também é mais barato. Pagar salários justos e ter o número de funcionários necessário às tarefas implica ter de subir consideravelmente os preços. 

    Infra-estruturas –  todo o processo de produção implica um local onde fazer o produto

    Intermediários – quantos mais intermediários, mais os custos aumentam

    Lucro da empresa – ninguém faz uma empresa para ter prejuízo, portanto os preços têm sempre em conta a margem de lucro

    Empresa individual ou parte de um grupo – quando as empresas fazem partes de grandes grupos muitas vezes o pessoal, infra-estruturas, equipa de desenvolvimento e investigação são partilhados, permitindo criar gamas com preços mais baixos que mantêm a qualidade. Isto torna-se mais difícil em empresas pequenas, sendo a principal razão pela qual empresas pequenas geralmente produzem marcas caras.

     

    Olhando para alguns casos

     

    The Ordinary – parte de um grupo que já tinha uma marca elevada e uma intermédia, a The Ordinary investiu nos ingredientes. As fórmulas são simples, as texturas pouco agradáveis, as embalagens simples e praticamente não apostam em marketing tirando algumas bloggers-chave. Isto resultou em produtos que são eficazes e extremamente baratos (5-15€), mas que não vão além do conceito de “uma função por produto”. Vale a pena? Sim, desde que a experiência da aplicação não seja importante.

    Chanel – uma marca de uma grande casa de moda, é uma daquelas que se considera uma mais valia na vida das pessoas, pagando-se grandemente pelo privilégio de se terem os produtos em casa. A eficácia é questionável, principalmente tendo em conta o preço e vive principalmente da textura e da fragrância (para que é que é necessário que um creme cheire a perfume é coisa que me ultrapassa e é inútil e propiciador de crises alérgicas). Vale a pena? Não, a menos que queiramos mesmo um produto da marca como item de decoração.

    Sunday Riley – uma marca cara que vive dos ingredientes caros/certificados e das fórmulas eficazes, bem como aparentemente de uma política de pagamento decente aos funcionários. Vale a pena? Sim, se tivermos dinheiro para a pagar (90% das pessoas não tem).

    Garnier – parte de um grande grupo, a Garnier aposta nas texturas e em ingredientes básicos, bem como no marketing. Vale a pena? Sim, se não houver dinheiro/vontade de investir em produtos mais interessantes em termos de qualidade/preço.

    Vichy – parte de um grande grupo, aposta em alguns ingredientes interessantes e muito marketing. Vale a pena? Não (não tenho muito mais a dizer sobre isto).

    ISDIN – aposta principalmente em investigação/inovação, ingredientes e fórmulas (e marketing a nível de visita médica), tendo-se especializado em áreas de patologias da pele e protecção solar. Vale a pena? Sim, embora alguns preços possam ser elevados.

    La Roche-Posay – parte de um grande grupo, aposta em ingredientes, fórmulas eficazes e marketing. Vale a pena? Sim, desde que não se procure a experiência da cosmética elevada.

    Cien – aposta em ingredientes básicos e preços baixos, o que se traduz numa relação qualidade/preço muito interessante (mas onde nem a qualidade nem o preço são elevados). Vale a pena? Não, a menos que o orçamento não permita algo melhor – continua a ser melhor do que nada.

    Clarins – uma marca de cosmética elevada que aposta em ingredientes, fórmula e textura, mantendo um bom equilíbrio entre todos. Vale a pena? Sim, se se quiser uma marca eficaz mas também a experiência agradável da aplicação (e desde que se tenha dinheiro para isso).

     

    (não foi acidentalmente que escolhi várias marcas do grupo L’Oréal, apenas para mostrar que “serem do mesmo grupo” e “serem produzidos nos mesmos locais e possivelmente pelas mesmas equipas” não diz nada a respeito das políticas internas e da qualidade do produto)

  • Review: La Roche-Posay Anthelios Bruma Anti-Brilhos SPF50

    Review: La Roche-Posay Anthelios Bruma Anti-Brilhos SPF50

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    Tipo de produto: spray para reforçar a protecção solar

    Função: protector solar

    Ingredientes principais: octocrileno, dimeticone

    Quando usar: quando necessário

    Embalagem: embalagem com spray

    Quantidade: 75ml

    Preço: 15€

    Onde comprar: farmácias, Care to Beauty (não é link de afiliado, contudo podem usar o código de afiliado ANA5 para terem 5% de desconto na Care to Beauty)

     

    A ideia não é nova, mas depois do desapontante desempenho da Eau de Soin da Bioderma em peles mistas ou oleosas, a grande maioria das pessoas estava com as esperanças depositadas neste novo produto da La Roche-Posay que promete ser um reforço de protecção solar desenhado com uma função anti-brilhos.

    Por norma, se tenho um produto diferente nas mãos, gosto de o usar como uma pessoa normal: pegar nele e tentar fazer a coisa resultar. Eventualmente olho para a embalagem à procura de instruções específicas, sendo que esta embalagem só indica que se deve agitar bem o produto antes de usar. A primeira vez que tentei aplicar o produto, confesso que a coisa não correu muito bem – acabei por usar bem mais do que seria recomendável e não gostei do aspecto final. Entretanto uma leitora fofa indicou-me que este produto deveria ser usado em Z (mantendo os olhos e boca fechados) e segui essa indicação no dia seguinte, tendo melhorado exponencialmente os resultados.

    Então o que é que posso dizer acerca do produto quando ele é bem usado? Que funciona e está aprovado para pele mista. Apesar de dizer “anti-brilhos” o produto não tem acção matificante, mas também não acrescenta qualquer oleosidade à pele (só isto já é um grande bónus), mas por outro lado as zonas mais secas do rosto também não ficaram a repuxar e mantiveram-se confortáveis. O facto de conter silicones faz com que a pele fique com aquela textura aveludada típica dos silicones – não sou fã, mas sei que não faço parte da maioria – e a embalagem é pequena e prática para transporte no dia a dia na carteira, tornando muito mais simples a reaplicação de protecção solar por cima da maquilhagem.

    Quanto à protecção propriamente dita, não a testei em condições extremas, mas portou-se sempre muito bem e mantenho-me sem escaldões nem vermelhidões.

  • Protector solar – FAQ

    Protector solar – FAQ

    Vamos à segunda parte do especial de protecção solar, em que reuni respostas a algumas perguntas que me fazem frequentemente e a perguntas que não me fazem mas deviam fazer. Desde reaplicação do protector a questões com a Vitamina D, vamos abordar várias temáticas dentro da protecção solar. Não se esqueçam de ver o primeiro post sobre os vários tipos de radiação.

     

    A utilização de protectores solares provoca défice de Vitamina D?

    Para quem não conhece o contexto desta pergunta, eis uma mini explicação rápida: a pró-Vitamina D que circula no organismo é convertida em Vitamina D activa através da radiação solar, nomeadamente a radiação UVB. Esta vitamina é uma das responsáveis pela fixação de cálcio nos ossos, o que leva ao surgimento da questão de que se fizermos uma protecção solar que não permita a radiação UVB chegar à pele, então podemos estar a promover um défice de cálcio ósseo.

    A resposta a esta pergunta não é fácil, mais eis o consenso habitual: caso a pessoa não se exponha totalmente à radiação e faça uma protecção muito elevada e cuidada (como nos casos de antecedentes de cancro de pele) este défice acontece e carece de suplementação. Contudo, a radiação necessária por dia para que esta conversão aconteça é muito pequena e, considerando que a quase totalidade das pessoas não faz a protecção solar em doses adequadas (colocando muito menos protector do que o necessário e/ou não aplicando sempre), então a situação de défice será muito rara.

    Conclusão: provoca, mas apenas em casos muito específicos e não na maioria da população como muitos sites que gostam de provocar pânico generalizado nos querem fazer crer.

     

    Quando se deve aplicar protector solar?

    Todos os dias, o ano todo, por norma. Se leram o post sobre os vários tipos de radiação já perceberam que até a luz visível tem efeitos nocivos para a pele, por isso é mesmo recomendado que seja feita a aplicação diária de protecção solar.

    Quanto à reaplicação do protector, considerando que a degradação do protector solar aplicado na pele é feita em grande parte pela radiação, se passarem o dia dentro de 4 paredes diria que apenas é necessário aplicar uma vez por dia. Contudo, em casos de exposição extrema a recomendação é que a reaplicação seja feita a cada 2h e após contacto com água ou utilização de toalha.

     

    O que são protectores solares resistentes à água?

    De acordo com as normas europeias, existem duas categorias de protectores solares no que diz respeito à resistência à água: protectores solares resistentes à água e protectores solares muito resistentes à água. Traduzindo, os protectores resistentes à água são aqueles que, após imersão durante 40 minutos, ainda mantêm 50% do produto na pele (sem contar com enxugar a pele com toalha, que tira uma grande quantidade de protector, este índice apenas diz respeito a imersão em água). Os protectores muito resistentes à água mantêm 50% do produto na pele após imersão durante 80 minutos. Ainda assim, recomenda-se sempre a reaplicação após contacto com água, estes apenas dão mais segurança a pessoas que passam largos períodos dentro de água ou transpiram muito.

     

    Se comprar um protector SPF50+ estou a comprar o melhor possível?

    A resposta aqui é sim e não. A verdade é que um protector ser 50+ garante que existe protecção anti UVB muito elevada e que existe protecção anti-UVA de pelo menos 1/3 disso (vejam o post sobre as várias radiações).

    Contudo, um protector factor 30 poderá ter um índice anti-UVA maior do que o de um protector factor 50+. Além disso, nem só de números se faz a protecção, pois interessa também o espectro de radiação coberto e se tem algum tipo de acção extra.

    Portanto se não souberem avaliar os protectores ou não tiverem noção de recomendações, podem optar por um factor 50 como método de tentar ter a maior protecção possível, mas o ideal será sempre comparar os vários parâmetros se essa informação estiver disponível.

    Nota: esta questão do rácio UVB/UVA é apenas válida nos produtos europeus e não se aplica ao resto do mundo

     

    Se colocar vários produtos com SPF, a protecção solar é somada?

    A resposta rápida é não. O SPF não é cumulativo, embora a utilização de uma combinação de produtos possa garantir uma maior cobertura de espectro de radiação (ingredientes diferentes bloqueiam radiações diferentes). Ao contrário do que a grande maioria das pessoas pensa, um SPF50 não oferece o dobro da protecção de um SPF25, como podem ver no gráfico abaixo é bem diferente disso:

     

    spf grafico protecção solar.png

    Em que passo da rotina aplico protector solar?

    O protector solar é sempre o último produto a ser aplicado na rotina de cuidados de rosto e deve ser aplicado antes da maquilhagem.

     

    Como posso reforçar a protecção ao longo do dia por cima da maquilhagem?

    Primeiro há que avaliar se há de facto necessidade de reforçar a protecção solar. Na maior parte das ocasiões que é requerida maquilhagem é raro haver a necessidade de reaplicação de protector. Contudo, caso esse seja na mesma o caso, pode-se utilizar uma bruma ou um creme compacto com protecção solar. (apenas uma nota: a bruma da Bioderma foi reformulada e está aparentemente com a questão do entupimento resolvida e é mais adequada a pele oleosa)

  • Protecção solar – radiações e SPF

    Protecção solar – radiações e SPF

    Está a chegar o verão e esta é uma óptima altura para fazer aqui uma semana especial sobre protecção solar (na verdade se tudo correr bem serão 15 dias, vamos ver como corre). A ideia aqui é responder às dúvidas mais comuns em relação à protecção solar, como qual o melhor tipo de protector, que protector escolher, como funciona a protecção solar, quando reaplicar e muito mais. Fiquem atentos aos posts desta semana, pois irei responder a todas elas.

     

    As várias radiações

    A primeira coisa a considerar quando se fala de protecção solar é na radiação. Isto porque apesar de nos anos 90 toda a gente só querer saber da radiação UV, nos últimos anos tornou-se evidente o papel das restantes radiações na pele. Portanto vamos vê-las uma a uma.

     

    penetração radiação solar.PNG

     

    Radiação UVB (ultravioleta-B): a radiação UVB é a principal responsável pelas queimaduras solares, sendo a radiação à qual diz respeito a classificação SPF (SPF15 protege de 93.3% de radiação UVB, SPF30 protege de 96.7% de radiação UVB e SPF50 protege de 98.3% de radiação UVB). É também responsável pelo efeito bronzeado, mas também pela carcinogénese, embora em muito menor proporção do que o UVA. Esta radiação é a principal responsável pela conversão de pró-vitamina D em Vitamina D activa.

    Como proteger: filtros orgânicos como triazinas e triazonas, filtros minerais (micronizados ou não)

     

    Radiação UVA (ultravioleta-A): a radiação UVA é a principal responsável pela carcinogénese, pigmentação e pelo fotoenvelhecimento. Apesar de existirem alguns sistemas de classificação de UVA em protecção solar (como o caso do PA+, PA++, PA+++ ou fazerem uma equivalência ao UVB), estas classificações não estão legisladas. Contudo, a lei Europeia prevê uma condição no que diz respeito ao rácio UVB/UVA – a protecção UVA tem de ser pelo menos um terço da protecção UVB (isto não acontece nos EUA e a grande maioria dos protectores solares americanos falham no cumprimento desta regra europeia, elevando o SPF mas não acompanhando proporcionalmente no UVA).

    Como proteger: filtros orgânicos como triazinas e triazonas, filtros minerais (micronizados ou não)

     

    Radiação IV (infravermelha): nos últimos 10 anos a radiação IV tem sido alvo de investigação intensa pelo facto de se ter descoberto que, tal como a radiação UV, a IV também provoca danos na pele. Explicando de forma simples, existem uma série de genes que respondem a estimulação por radiação IV, sendo que os mais releventes são os que dão origem à matriz metaloproteinase-1 que degrada as fibras de colagénio e elastina, levando à formação de rugas profundas e rídulas. Além desta degradação, descobriu-se também que a radiação IV inibe a síntese de colagénio. Já o papel da radiação IV na génese do cancro tem sido menos estudado, mas parece estar associada a formas malignas mais agressivas de cancro.

    Como proteger: pigmentos inorgânicos (que têm cor, conferindo tonalidade ao produto que pode torná-los de difícil utilização), filtros minerais não micronizados (mas deixam aspecto esbranquiçado, acinzentado na pele) e/ou uma combinação de antioxidantes potentes (principalmente beta-caroteno tópico, ácido ferúlico ou extracto de grainha de uva).

     

    Radiação HEV (visível de alta energia): as últimas inovações no que diz respeito à protecção solar estão a acontecer a nível da radiação visível, principalmente no que diz respeito à luz azul devido à sua capacidade de penetração na pele. A principal problemática relacionada com este tipo de radiação é a pigmentação da pele principalmente em fotótipos altos (pele mais escura), levando a situações de melasma. Além disto, foi também descoberto que a luz azul também aumenta a expressão de matriz metaloproteinase-1 e ao aumento muito significativo de espécies reactivas de oxigénio, conduzindo ao fotoenvelhecimento. Ainda não existem estudos (pelo menos do meu conhecimento) quanto à influência da HEV na génese do cancro.

    Como proteger: combinação de antioxidantes potentes (por exemplo um sérum antioxidante), filtros minerais não micronizados (conferem um aspecto esbranquiçado/acinzentado à pele) e/ou óxido de ferro (tem uma cor avermelhada e confere coloração intensa aos protectores). O desenvolvimento de protecção contra este tipo de radiação ainda está muito no início, mas já começam a surgir no mercado patentes neste sentido, como o Liposhield® HEV Melanin que foi especificamente desenhado para combater a radiação HEV e é um composto de melanina fraccionada. Este ano surgiram também o Parsol® Max II e o Soliberine® que prometem oferecer protecção contra todo o espectro, incluindo IV e luz azul.

     

    Como fazer a melhor protecção possível dentro desta informação? O meu conselho seria fazer uma boa protecção com SPF 30 e que tenha um bom rácio UVB/UVA (muitas marcas divulgam abertamente estes índices) e utilizar um bom sérum antioxidante antes do protector solar. Não se preocupem, haverá um post com sugestões de protecção solar para diversas situações em breve.

  • Cosméticos com efeito instantâneo

    Cosméticos com efeito instantâneo

    A dermocosmética não vive de milagres e portanto cosméticos com efeito instantâneo não significa que tenham feito realmente algo à pele, mas sim um efeito cosmético temporário. Contudo, muitas vezes tudo aquilo que queremos é um efeito instantâneo, seja porque temos algum evento importante ou queiramos apenas ver resultados no próprio momento, ocasionalmente o efeito flash é tudo aquilo que queremos.

     

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    Remescar Olheiras – efeito lifting no contorno de olhos [comprar]

    Não aconselho que utilizem pela primeira vez no próprio dia do evento, uma vez que o efeito lifting é mesmo visível e se for mal aplicado o efeito pode ficar estranho. Contudo, com alguma prática conseguem aprender como colocar o produto e como tirar o melhor partido dele. (sim, eu sei que supostamente o produto diz que é anti-papos e anti-olheiras, mas o melhor efeito que ele tem é mesmo de lifting)

     

    Sesderma C-Vit Mask – luminosidade [comprar]

    Esta já não é nova por cá, mas esta máscara é àquilo a que recorro quando quero uma pele luminosa, de preferência depois de uma máscara esfoliante. A pele fica com um aspecto radiante logo depois da máscara ser removida.

     

    Bioderma Sensibio Mask – efeito calmante [comprar]

    Para peles que ficam facilmente vermelhas, para peles com rosácea ou para ter no kit de SOS de maquilhadoras, esta é sempre a máscara que indico a alguém que quer combater a vermelhidão e apaziguar a pele. 

     

    Esthederm Pure System – matificante e poros dilatados 

    O efeito matificante deste creme é algo de extraordinário, bem como a sua acção em poros dilatados. Imaginem-me num formação depois de ter experimentado 15 cremes diferentes nas costas da mão a colocar este creme e a pele ficar instantaneamente matificada mesmo por cima de tudo o que já tinha colocado. É esse o nível que estamos a falar. 

     

    Endocare Ampolas Flash – efeito lifting no rosto [comprar]

    Perfeita para pessoas com mais idade e que já sentem o oval do rosto mais flácido, é ideal para usar antes da maquilhagem para um efeito de lifting e luminosidade instantâneos. 

     

    Martiderm Flash Ampoules – luminosidade e hidratação 

    Perfeita para peles secas e sem vida, estas ampolas dão um efeito de pele hidratada e luminosa. Confesso que em pele mista não vi nenhum resultado extraordinário, mas o feedback que tenho de peles secas faz-me achar que valem muito a pena. 

  • Mitos – o que pões na pele vai para o teu corpo

    Mitos – o que pões na pele vai para o teu corpo

    Estamos actualmente a assistir a uma onda de cosméticos bio e orgânicos. Embora não discorde da existência deles, acho que as pessoas que escolhem este tipo de cosméticos devem fazê-lo pelas razões certas e não porque as companhias que os produzem decidem incutir medos infundados. Portanto hoje temos todo um post dedicado a analisar a questão que normalmente muita gente enumera como principal razão para escolher produtos bio e orgânicos e que na verdade é puro mito difundido pelas companhias que oferecem estas alternativas.

     

    O que é um cosmético?

     

    Temos de começar por aqui para se perceber logo à partida a premissa errada da qual se parte quando se diz que o que se põe na pele vai para o corpo. E dou-vos a definição legal actualmente vigente na Europa: «Produto cosmético» – qualquer substância ou mistura destinada a ser posta em contacto com as partes externas do corpo humano (epiderme, sistemas piloso e capilar, unhas, lábios e órgãos genitais externos) ou com os dentes e as mucosas bucais, tendo em vista, exclusiva ou principalmente, limpá-los, perfumá-los, modificar-lhes o aspecto, protegê-los, mantê-los em bom estado ou corrigir os odores corporais.

    E isto é importante porquê? Por causa da zona onde o produto actua: a epiderme. Na verdade a principal diferença entre um medicamento e um cosmético é que o medicamento pode atingir a corrente sanguínea, enquanto que um cosmético não pode.

     

    A epiderme

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    A epiderme é a camada superficial da pele, aquela primeira camada que conseguem ver na primeira imagem. Ampliando, percebe-se que a epiderme é composta por camadas de células e que não há vasos sanguíneos nesta camada. Logo, se os cosméticos não atingem o sistema circulatório, os ingredientes não atingem os restantes órgãos, uma vez que é a circulação sanguínea e linfática que tratam desta distribuição.

    Outra coisa a ter em conta é que a pele é um órgão que tem como uma das principais funções servir de barreira contra o meio externo. Se a pele deixasse passar tudo o que lhe metemos em cima como nos querem fazer parecer, não precisávamos de beber água, porque bastava tomarmos banho e a água passava para o nosso corpo. Isto não acontece porque a nossa pele é uma barreira muito impenetrável.

     

    Absorção de cosméticos

    Estou a ver a vossa próxima pergunta a formar-se na vossa cabeça: “ok, mas se as coisas não passam propriamente para dentro do nosso corpo, então quando os cremes são absorvidos vão para onde?”. Os ingredientes que a pele “absorve” ficam na epiderme e vão sendo eliminados juntamente com as células mortas que vão descamando naturalmente.

    Para perceberem este processo, remeto-vos de novo para a imagem da epiderme: a camada que contém as células mais novas e ainda vivas é a que está em baixo e conseguem ver que essas células novas têm a forma normal e um círculo que representa o núcleo. À medida que vão olhando cada vez mais para cima, percebem que as células vão ficando achatadas e perdendo o núcleo, o que significa que se tornam células mortas. Este é o processo natural que as células da pele vão seguindo. As células novas aparecem em baixo e vão empurrando para cima as células antigas, que lentamente se vão degradando e morrendo – isto faz com que haja uma migração das células da parte de baixo onde são células vivas até ao topo onde descamam naturalmente (ou então damos-lhes uma ajuda com esfoliantes). Os cosméticos que são absorvidos pela pele vão tentando descer pelos espaços entre as células – mas têm de considerar que estes espaços são muito apertados e não foram desenhados para deixar passar nada, são uma camada protectora. Então, eventualmente os ingredientes que conseguiram ir descendo, chegam a um ponto em que não descem mais e ficam por lá. Eventualmente o espaço onde ficaram acaba por chegar à superfície e eles descamam juntamente com as células.

    Assim, os ingredientes “absorvidos” pela pele acabam por sair juntamente com as células, o que significa que nunca foram realmente absorvidos pelo corpo. Mais uma vez, não atingindo a circulação sanguínea eles não são distribuídos pelo corpo e não podem afectar outros órgãos. Além disso, muitos ingredientes têm moléculas tão grandes que apenas actuam à superfície da pele, nem chegando realmente a penetrar pelos espaços entre as células.

    (notem que esta explicação é altamente simplificada e o processo é mais complexo do que vos explico aqui, mas a ideia é que percebam o mecanismo geral)

     

    “O que pomos na pele vai para o nosso corpo”

    Chegando a esta parte já fica fácil de perceber. O nosso corpo tem dois sistemas de distribuição (os canais linfáticos e os vasos sanguíneos) e a única forma de algo ser distribuído pelo corpo é atingir um destes dois sistemas. Um cosmético, por definição, não pode atingir nenhum deles, portanto a distribuição pelo corpo não acontece.

    Aquilo que pomos na nossa pele só atinge, portanto, a camada superficial da pele que é principalmente constituída por células mortas e os poucos ingredientes que têm dimensões suficientemente pequenas para irem passando pelas camadas de células acabam por descamar juntamente com elas pelo processo natural de renovação celular da pele.

  • Review: Ducray Sensinol Serum em Spray

    Review: Ducray Sensinol Serum em Spray

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    Tipo de produto: spray para o couro cabeludo irritado e com prurido
    Função: calmante
    Ingredientes principais: polidocanol, gluconato de zinco
    Quando usar: quando necessário / em SOS
    Embalagem: embalagem de plástico com pulverizador
    Quantidade: 30ml
    Preço: 16€
    Onde comprar: farmácias, Care to Beauty (não é link de afiliado, contudo podem usar o código de afiliado ANA5 para terem 5% de desconto na Care to Beauty)

     

    Este produto é um pequeno salvador do couro cabeludo irritado, qualquer que seja a razão (dermatite seborreica, alergias ou outras razões desconhecidas pelas quais o couro cabeludo decide torturar uma pessoa até à beira da loucura). Sempre que alguém me diz que anda cheio de prurido no couro cabeludo, a minha resposta é quase sempre invariavelmente Sensinol. O champô faz bastante, mas este spray permite a aplicação em qualquer hora do dia em que seja necessário acalmar o prurido, especialmente por estar numa embalagem extremamente portátil.

     

    A sua utilização é muito simples: levantar o cabelo (caso isso se aplique) e pulverizar o produto directamente no couro cabeludo. A qualquer hora do dia, de forma muito fácil e sem deixar o cabelo oleoso. O efeito é praticamente instantâneo e alivia mesmo muito, sendo muito prático para quem sofre de algumas crises menos simpáticas de dermatite seborreica ou alergias.

     

    Não se esqueçam de ter em conta que, caso apresentem prurido frequente no couro cabeludo, convém tentarem perceber a origem do problema em vez de simplesmente usar este spray. Ele faz um pouco a função de penso rápido – trata na hora, mas não é para usar para sempre. 

  • Review: La Roche Posay Redermic R UV FPS30

    Review: La Roche Posay Redermic R UV FPS30

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    Tipo de produto: creme de rosto com protecção solar
    Função: hidratante, protector solar
    Ingredientes principais: retinol a 0.3%, octocrileno, Univul T
    Quando usar: manhã depois dos restantes cremes e antes da maquilhagem
    Textura: creme fluido
    Aroma: muito suave, quase inexistente
    Embalagem: tubo de alumínio
    Quantidade: 40 ml 
    Preço: 36€
    Onde comprar: farmácias, Care to Beauty (não é link de afiliado, contudo podem usar o código de afiliado ANA5 para terem 5% de desconto na Care to Beauty)

     

    Esta review vem directamente da minha mãe, que é quem tem usado este produto como se não houvesse amanhã. O Redermic R UV é a mais recente adição à gama Redermic da Roche Posay e, depois de uma encomenda que desapareceu no éter com o Redermic R normal que supostamente vinha cá para casa e com o facto de estar esgotado, acabei por receber este novo creme com protector solar incluído. Como o feedback que tinha dele é que era um pouco mais rico e tenho pele mista, achei que não valia a pena arriscar e ofereci-o à minha mãe, que tem pele seca e adora produtos com retinol. Aparentemente foi a melhor coisa que fiz, porque tornou-se rapidamente o protector solar diário dela (e não é que ela não tenha falta de escolha em casa, que ela herda imensa coisa minha).

     

    A textura dele é de um creme fluido, mas a pele seca da minha mãe não se queixa nada e absorve tudo rapidamente sem deixar resíduo e sem ficar a repuxar. O facto do retinol ser de libertação prolongada ajuda a que o efeito seja prolongado ao longo do dia, tendo acção anti-envelhecimento e anti manchas. Como contém silicones, funciona muito bem como base de maquilhagem – neste caso não me verão a reclamar dos silicones porque é o último produto a utilizar antes da maquilhagem, e portanto acho óptimo que tenha silicone e dispense o primer nalguns casos. Não recomendo que seja usado durante o verão por causa do retinol e da protecção factor 30, mas é óptimo para esta altura do ano em que o sol ainda não está intenso.

     

    * produto cedido pela marca

  • Review: MartiDerm Driosec Toalhitas

    Review: MartiDerm Driosec Toalhitas

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    Tipo de produto: toalhitas desodorizantes e antitranspirantes
    Função: desodorizante, antitranspirante
    Ingredientes principais: sais de alumínio
    Quando usar: quando necessário / em SOS
    Embalagem: toalhitas embaladas individualmente
    Quantidade: 15 toalhitas
    Preço: 14 €
    Onde comprar: farmácias, Care to Beauty (não é link de afiliado, contudo podem usar o código de afiliado ANA5 para terem 5% de desconto na Care to Beauty)

     

    Na verdade este produto deveria ter entrado  no post dos produtos subvalorizados, mas na realidade esqueci-me completamente dele e só me lembrei ontem à noite quando peguei na minha bolsa de medicamentos e uma destas toalhitas saiu lá de dentro. Portanto achei que seria apenas justo fazer-lhe uma review, para compensar. (então oh Ana, mas não ias passar a fazer reviews duplas? Olhem, experimentei e aquilo desalinha-me os chakras, por isso passamos a reviews mais pequenas individuais a ver se a coisa já funciona)

     

    A ideia base destas toalhitas é poder ter algo portátil para aqueles dias em que vamos estar muito tempo fora de casa ou vamos fazer uma viagem e queremos reduzir o peso ou quantidade de produtos que levamos. Levava-as comigo sempre que ia trabalhar para Lisboa, porque acordar às 6h, fazer 3h de comboio,  trabalhar um dia inteiro (muitas vezes a andar de um lado para o outro) e ainda fazer 3h de comboio de volta em pleno verão era coisa que ao fim do dia dava para ser desagradável para quem fosse ao meu lado no comboio. Apesar de hoje em dia já não ter dias assim intensos (vantagens de mudar para um trabalho melhor), mantenho sempre uma toalhita comigo para onde quer que vá. Esta toalhita não só tem a vantagem de ser realmente desodorizante (se o aroma desagradável já estiver presente ela anula grande parte), como também ser antitranspirante.

     

    Eu sei que o preço não é aparentemente convidativo, mas sendo reservado para situações de SOS acho perfeitamente aceitável porque as toalhitas são embaladas individualmente e a sua utilização é esporádica.